Alames assume compromisso anticapitalista, antirracista, antipatriarcal e por sistemas universais de saúde

“Aos 40 anos, a ALAMES está mais viva do que nunca!”, comemorou Saúl Franco, na Assembleia realizada após o XVIII Congresso Latino-Americano de Medicina Social e Saúde Coletiva.
A Associação Latino-Americana de Medicina Social (ALAMES) reafirmou a centralidade dos movimentos sociais na saúde e declarou seu caráter anticapitalista, anticolonial e antirracista, em Assembleia realizada neste sábado, 09/08, após o encerramento do XVIII Congresso Latino-Americano de Medicina Social e Saúde Coletiva.
A Assembleia também declarou prioritária a luta contra o terrorismo de Estado, o narcotráfico e a construção de sistemas de saúde únicos, universais, solidários, participativos, públicos e gratuitos, financiados por impostos gerais.
Com 2566 congressistas, 1322 trabalhos aprovados, 912 pôsteres, 410 comunicações orais apresentadas e 68 sessões de comunicação oral, o XVIII Congresso foi o maior realizado pela ALAMES. O evento também marcou a articulação política com movimentos sociais e estudantis. A transmissão nas redes sociais buscou ampliar o alcance do congresso e suas atividades políticas.
“O poder deste Congresso antecipa o compromisso dos Alames do futuro. É por isso que não podemos mais esconder nossas bandeiras. Os Alames devem tornar explícito seu compromisso com a luta anticapitalista e antirracista e contra o patriarcado. Essas lutas são pilares para consolidar a democracia, que é a base dos sistemas universais de saúde pelos quais lutamos”, disse sob aplausos a diretora do Cebes, Ana Costa, presidente do XVIII Congresso da Alames.
“Aos 40 anos, a ALAMES está mais viva do que nunca!”, comemorou Saúl Franco, médico social colombiano e cofundador da ALAMES, criada em 1984, durante as lutas pela redemocratização da América Latina.
Claudia Naranjo observou que a Associação está “passando da quarta para a quinta geração” e que é esse diálogo intergeracional que permite à ALAMES “se fortalecer e crescer”. Para o futuro, a ALAMES estabeleceu diretrizes que incluem apostar na juventude e intensificar a presença nas ruas junto aos movimentos sociais.
Redes Temáticas
A Assembleia aprovou a inclusão de duas novas redes temáticas: a Rede de Formação de Profissionais em Medicina Social e Saúde Coletiva e a Rede de Economia Política da Saúde, proposta por Carlos Fidelis, presidente do Cebes. Coordenada no Brasil pela professora Iola Gurgel, a rede já conta com membros da República Dominicana e está aberta a novos membros.
As redes temáticas são espaços de articulação, reflexão, debate e ação. As novas redes foram adicionadas às existentes: Gênero, Saúde Mental Coletiva e Bem Viver, Saúde e Trabalho, Medicamentos, Serviços e Sistemas de Saúde e LOMSODES (Rede Latino-Americana de Organizações e Movimentos Sociais pelo Direito à Saúde).
Em votação dos membros presentes, formou-se uma maioria a favor da realização da Assembleia antes do Congresso. A posição brasileira é favorável à realização posterior, para ampliar o escopo e aprofundar o debate político.
MovSalud Mapa
A Assembleia também deliberou sobre a expansão do Mapa dos Movimentos Sociais de Saúde para toda a América Latina. O MapaMovSalud, coordenado pela ex-presidente do Cebes, Lúcia Souto, realizou uma oficina no XVIII Congresso da Alames.
Cenário político
Durante a Assembleia, os representantes dos capítulos nacionais da Alames em El Salvador e Venezuela foram aplaudidos de pé pela situação que enfrentam. El Salvador está passando por uma experiência fascista que está mobilizando toda a extrema direita na América Latina. A Venezuela, por sua vez, está passando pela maior crise sanitária de sua história.
Rumo ao México
A Assembleia aprovou a realização do próximo Congresso de Alames no México, em 2027. A proposta será oficialmente confirmada pelo colegiado dos Alames no México, após a avaliação das condições de acesso internacional.





