{"id":104,"date":"2018-03-14T13:06:46","date_gmt":"2018-03-14T16:06:46","guid":{"rendered":"http:\/\/alames.org\/2018\/03\/14\/uma-concepcao-ativista-de-educacao\/"},"modified":"2018-03-14T13:06:46","modified_gmt":"2018-03-14T16:06:46","slug":"uma-concepcao-ativista-de-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/uma-concepcao-ativista-de-educacao\/","title":{"rendered":"Uma concep\u00e7\u00e3o ativista de educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>ANTONIO GRAMSCI &#8211; UMA CONCEP\u00c7\u00c3O ATIVISTA DE EDUCA\u00c7\u00c3O E SUA (INTER)A\u00c7\u00c3O EM ITAIPAVA<\/p>\n<p>Marco Aur\u00e9lio Da Ros1, Rita de Cassia Gabrielli Souza Lima1, Davi Tames1, Lucr\u00e9cia unelli2, Joelma Feliciano3, Liana Riveiro3, Marcos R.Rita3, Paula C. Souza3, Adriana G. Corr\u00eaa4, Camila\u00a0 Labr\u00eaa4, Marina Goelzer Kieling4.<\/p>\n<p>Resumo: Projeto de extens\u00e3o universit\u00e1ria desenvolvido com estudantes de gradua\u00e7\u00e3o em odontologia e medicina que busca atrav\u00e9s de uma concep\u00e7\u00e3o ativista de educa\u00e7\u00e3o, o preparo te\u00f3rico contra- hegem\u00f4nico na \u00e1rea da sa\u00fade. Este projeto constitui-se com uma nova proposta de a\u00e7\u00e3o, pautado em diversas categorias apresentadas por Gramsci e na compreens\u00e3o de que o processo sa\u00fade-doen\u00e7a \u00e9 historicamente constru\u00eddo e permeado pela hegemonia da classe dominante. Tem como ponto fundamental conhecer os saberes da comunidade para fomentar os coletivos e construir uma proposta de intera\u00e7\u00e3o que al\u00e9m de neutralizar as a\u00e7\u00f5es da ideologia burguesa dominante, que atualmente colocam em risco uma das maiores conquistas dos movimentos sociais na \u00e1rea da sa\u00fade, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade &#8211; SUS, construa premissas para outras a\u00e7\u00f5es contra-hegem\u00f4nicas na busca de uma nova sociedade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Palavras-chave: Sistema \u00danico de Sa\u00fade, Processo sa\u00fade-doen\u00e7a, Educa\u00e7\u00e3o, Contra-hegemonia, Gramsci, Sistema \u00danico de Sa\u00fade, Processo sa\u00fade-doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c1rea do Conhecimento: Ci\u00eancias da Sa\u00fade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Este projeto: Antonio Gramsci &#8211; uma concep\u00e7\u00e3o ativista de educa\u00e7\u00e3o e sua (inter)a\u00e7\u00e3o em Itaipava, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de Extens\u00e3o da Universidade do Vale do Itaja\u00ed-UNIVALI, que teve in\u00edcio no primeiro semestre de 2015. Inicialmente houve a viabiliza\u00e7\u00e3o de 04 bolsistas do curso de odontologia al\u00e9m de 02 bolsistas do curso de medicina, cursos estes que institucionalmente estavam envolvidos no projeto.<\/p>\n<p>Pautados em discuss\u00f5es de temas que perpassam a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica na \u00e1rea da sa\u00fade e a pr\u00e1tica dos futuros profissionais nas diversas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, visitamos conceitos desenvolvidos por Paulo Freire, Ludwik Fleck, George Rosen e Antonio Gramsci sob a \u00f3tica dos princ\u00edpios e diretrizes que norteiam o SUS.<\/p>\n<p>A proposta inicial deste projeto era promover um preparo te\u00f3rico contra-hegem\u00f4nico no setor da sa\u00fade e a posteriori inser\u00e7\u00e3o destes acad\u00eamicos em uma ou mais comunidades do munic\u00edpio de Itaja\u00ed, para em conjunto com a comunidade, desenvolverem a\u00e7\u00f5es alternativas \u00e0s in\u00fameras pr\u00e1ticas imbu\u00eddas da ideologia capitalista dominante na atualidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Metodologia<\/p>\n<p>As discuss\u00f5es com os acad\u00eamicos iniciaram pelo tema: a universidade que temos e a que queremos. A partir deste ponto e considerando que a supremacia de um grupo social se manifesta de dois modos, como dom\u00ednio e como dire\u00e7\u00e3o intelectual e moral1, discutimos a forma\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica do setor de sa\u00fade no Brasil, o modelo biom\u00e9dico, o complexo m\u00e9dico-industrial e as dificuldades criadas para a sobreviv\u00eancia do SUS.<\/p>\n<p>A partir disto, foi necess\u00e1rio contextualizar historicamente o conceito de sa\u00fade baseado na determina\u00e7\u00e3o social do processo sa\u00fade-doen\u00e7a. Ao considerar a determina\u00e7\u00e3o social2, \u00e9 necess\u00e1rio conceber as rela\u00e7\u00f5es social-biol\u00f3gico e sociedade-natureza, de forma tal que nenhuma delas esteja ausente nesta determina\u00e7\u00e3o, considerada como um processo, um modo de definir.<\/p>\n<p>Concomitante a isto, abordamos aspectos do movimento da medicina social europeia do s\u00e9culo XIX, seu percurso na Am\u00e9rica Latina at\u00e9 chegar ao conceito de sa\u00fade gerado a partir do Movimento da Reforma Sanit\u00e1ria e utilizado na 8\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade3: [&#8230;] a sa\u00fade \u00e9 a resultante das condi\u00e7\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade. Sendo assim, \u00e9 principalmente resultado das formas de organiza\u00e7\u00e3o social, de produ\u00e7\u00e3o, as quais podem gerar grandes desigualdades nos n\u00edveis de vida3.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o das resist\u00eancias epistemol\u00f3gicas criadas durante a forma\u00e7\u00e3o dos acad\u00eamicos, uma a\u00e7\u00e3o promovida pela hegemonia4, \u00e9 que \u201cn\u00e3o \u00e9 apenas pol\u00edtica, mas \u00e9 tamb\u00e9m um fato cultural, moral, de concep\u00e7\u00e3o do mundo\u201d, tivemos que discutir epistemologia fleckiana. Sendo necess\u00e1rio caracterizar os Estilos de Pensamento que perpassavam o processo sa\u00fade\/doen\u00e7a, muito difundidos e defendidos pelo modo de pensar da classe dominante.<\/p>\n<p>O Estilo de Pensamento5, 6, traz as concep\u00e7\u00f5es de entendimento do processo sa\u00fade-doen\u00e7a que legitimam e refor\u00e7am as pr\u00e1ticas e as solu\u00e7\u00f5es para a resolu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es vinculadas \u00e0 sa\u00fade, caracterizando o conhecimento de uma \u00e9poca a partir das suas atividades sociais e intera\u00e7\u00f5es com a natureza.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s aparente compreens\u00e3o passamos a discutir educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade e os conceitos freireanos de educa\u00e7\u00e3o horizontal, foi somente neste momento (segundo semestre de 2015) que conhecemos o vice-presidente do Conselho Municipal de Sa\u00fade do munic\u00edpio de Itaja\u00ed, o Beto. O munic\u00edpio de Itaja\u00ed \u00e9 destaque no estado de Santa Catarina, possui o maior PIB e a maior renda per capita do estado, mais de 200.000 habitantes e um Conselho Municipal de Sa\u00fade combativo e de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 atual gest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O vice-presidente Beto, veio ao grupo de extens\u00e3o apresentar a realidade de um bairro distante do centro aproximadamente 06 km, o bairro Itaipava. Al\u00e9m da dist\u00e2ncia, o bairro \u00e9 separado do restante da cidade por uma estrada federal (a BR 101), sendo tamb\u00e9m cortado por uma rodovia estadual. Itaipava foi a primeira col\u00f4nia de Itaja\u00ed, fundada em 1820 muito antes da emancipa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio, ocorrida em 1860.<\/p>\n<p>O bairro de Itaipava tem em torno de 10.000 habitantes, disp\u00f5e de uma Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) com 03 equipes, insufici\u00eancia de equipamentos p\u00fablicos e uma organiza\u00e7\u00e3o popular diferenciada do restante do munic\u00edpio. Itaipava durante muitos anos foi o \u00fanico bairro de Itaja\u00ed a contar com um Conselho Local de Sa\u00fade, participando ativamente de movimentos em defesa do SUS. Mediante estas caracter\u00edsticas, Itaipava passou a ser o local preferencial onde quer\u00edamos iniciar o nosso trabalho.<\/p>\n<p>O segundo semestre letivo da universidade iniciou e com ele vieram as modifica\u00e7\u00f5es dos bolsistas que faziam parte do projeto. Os alunos do curso de medicina abandonaram o projeto, j\u00e1 dos 04 bolsistas do curso de odontologia, 01 seguiu no projeto sendo acompanhado por 03 novos bolsistas deste curso.<\/p>\n<p>A sa\u00edda dos bolsistas se deu em decorr\u00eancia da din\u00e2mica de distribui\u00e7\u00e3o das disciplinas nos cursos de medicina e odontologia. As turmas de medicina a partir do segundo semestre, n\u00e3o disp\u00f5em de carga hor\u00e1ria livre para projetos de extens\u00e3o universit\u00e1ria, fato que tamb\u00e9m ocorre no curso de odontologia a partir do quinto semestre. No entanto, o curso de odontologia at\u00e9 o quinto semestre conta com uma grade curricular que alterna a oferta das disciplinas em per\u00edodos diferentes, fato que tamb\u00e9m impediu a continuidade dos alunos no projeto. Tivemos uma exce\u00e7\u00e3o porque um dos alunos que iniciou com o projeto no primeiro semestre, n\u00e3o cursou todas as disciplinas oferecidas pelo curso, no segundo semestre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes alunos (vagas institucionalmente constitu\u00eddas), o projeto contou com alunos volunt\u00e1rios do curso de gradua\u00e7\u00e3o de psicologia, hist\u00f3ria e do mestrado em Sa\u00fade e Gest\u00e3o do Trabalho, presentes desde o primeiro semestre de 2015.<\/p>\n<p>Os novos participantes do projeto fizeram com que retom\u00e1ssemos as discuss\u00f5es ocorridas nos primeiros encontros (de forma resumida), continuando o que hav\u00edamos realizado no primeiro semestre e dando in\u00edcio as discuss\u00f5es de Gramsci: quem era, sua hist\u00f3ria, sua luta. Estudamos tamb\u00e9m, algumas de suas categorias: hegemonia, intelectual org\u00e2nico, vontade coletiva, democracia e subalternidade, construindo a base do projeto pautados na perspectiva de questionar o que est\u00e1 posto, reorientando as percep\u00e7\u00f5es a respeito de processos hist\u00f3ricos que geram os problemas de sa\u00fade. Com este movimento exerc\u00edamos uma suave coer\u00e7\u00e3o na busca7 de instrumentos para uma nova forma \u00e9tico-pol\u00edtica de constru\u00e7\u00e3o de saberes e de estar em sociedade1.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Resultados Preliminares<\/p>\n<p>Com a compreens\u00e3o (limitada) de que os bolsistas, em sua grande maioria novos integrantes do projeto, n\u00e3o estavam preparados ainda para trabalhar em conjunto com a popula\u00e7\u00e3o, fomentando uma concep\u00e7\u00e3o ativista de educa\u00e7\u00e3o, algumas apresenta\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas em eventos internos da universidade foram organizadas.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nestas apresenta\u00e7\u00f5es, os bolsistas puderam aperfei\u00e7oar a habilidade de promover oficinas, ampliando a compreens\u00e3o a respeito de aspectos relacionados \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e sociedade. Esta proposta tamb\u00e9m aproximou os bolsistas de outras categorias gramscianas: hegemonia e contra-hegemonia, democracia participativa e democracia representativa, intelectual org\u00e2nico, bloco hist\u00f3rico, vontade coletiva, concep\u00e7\u00e3o de estado e sociedade civil8, 9, 10, 11.<\/p>\n<p>Terminamos o segundo semestre e as reflex\u00f5es dos professores envolvidos (Marco, Rita e Davi) levaram ao entendimento que est\u00e1vamos sendo contradit\u00f3rios com o que defend\u00edamos e que se esper\u00e1ssemos que os alunos estivessem \u201cprontos\u201d, jamais ir\u00edamos \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>Esta forma de agir negava a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o do projeto, que o novo saber \u00e9 constru\u00eddo enquanto processo, apresentando-se como um movimento constante de di\u00e1logo e leitura cr\u00edtica da realidade.<\/p>\n<p>Com o in\u00edcio de 2016 fizemos contato com o Beto para lhe dizer que quer\u00edamos iniciar o trabalho em Itaipava e solicitamos o que esperavam de n\u00f3s. Sua resposta instantaneamente foi: colaborar com a organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, colaborar na resolu\u00e7\u00e3o de problemas do bairro. Nesta ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m nos disse que havia feito um concurso na prefeitura e que tinha sido aprovado para a fun\u00e7\u00e3o de Agente Comunit\u00e1rio de Sa\u00fade (ACS) no bairro Itaipava.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia agendamos uma visita \u00e0 Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) do bairro, hav\u00edamos decidido iniciar o trabalho em conjunto com os ACSs. Concomitante a esta decis\u00e3o, tamb\u00e9m institu\u00edmos que o terceiro semestre do projeto contaria com tr\u00eas encontros te\u00f3ricos com os bolsistas para prepar\u00e1-los a respeitos de temas espec\u00edficos: confer\u00eancia de sa\u00fade, parcerias e possibilidades de atua\u00e7\u00e3o com os ACSs.<\/p>\n<p>A proposta de interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria em uma \u00e1rea espec\u00edfica da sa\u00fade, mas tentar\u00edamos atrav\u00e9s do contato com pessoas chaves da comunidade, colaborar com o que nos fora solicitado. Ao conhecer a realidade do bairro e a sua hist\u00f3ria atrav\u00e9s dos idosos e demais moradores, fomentar\u00edamos os coletivos (de lazer aos de luta), construindo no processo nossa proposta de (inter)a\u00e7\u00e3o em Itaipava. Adotar\u00edamos o m\u00e9todo freireano de a\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e teoria12 onde, \u201c(&#8230;) nosso papel n\u00e3o \u00e9 falar ao povo sobre a nossa vis\u00e3o de mundo, ou tentar imp\u00f4-la, mas dialogar com ele sobre a sua e a nossa\u201d visando, com isto, uma nova constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e uma nova pr\u00e1xis, um novo \u201catuar sobre sua realidade\u201d.<\/p>\n<p>Em nossa primeira visita encontramos os ACSs das tr\u00eas equipes que comp\u00f5em a UBS do bairro, dois enfermeiros e a coordenadora da unidade, ap\u00f3s as apresenta\u00e7\u00f5es convencionais dissemos o que pretend\u00edamos: aprender com eles e tentar colaborar com a organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da autonomia e emancipa\u00e7\u00e3o, fomentando os coletivos, refor\u00e7ando o Conselho Local de Sa\u00fade e colaborando na constru\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Local de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ouvir a nossa demanda, nos apresentaram o territ\u00f3rio de Itaipava indicando uma s\u00e9rie de problemas que vivenciam: falta de or\u00e7amento participativo, inexist\u00eancia de servi\u00e7o de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, car\u00eancia de instrumentos p\u00fablicos de cultura, lazer, pra\u00e7as, aus\u00eancias cal\u00e7amentos na maioria das vias p\u00fablicas, falta de \u00e1rea coberta para pr\u00e1tica de esportes e de seguran\u00e7a no per\u00edodo das 19 \u00e0s 07 horas e a perspectiva do bairro separar-se do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes aspectos a interrup\u00e7\u00e3o da tradicional Festa dos Colonos que acontecia no bairro e a aus\u00eancia de plano de cargos e sal\u00e1rios dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, tamb\u00e9m foi destaque nesta conversa inicial. Outrossim, pudemos conhecer um pouco mais sobre o trabalho dos ACSs e o v\u00ednculo afetivo que eles mantinham com a comunidade demonstrado atrav\u00e9s das seguintes falas: \u201cconta para o ACS o que n\u00e3o conta para o marido\u201d, \u201cvamos at\u00e9 nos vel\u00f3rios de nossos visitados quando morrem\u201d, \u201cfrustra\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ajudar a resolver\u201d, \u201cmas as vezes resolvemos ouvindo\u201d, \u201csomos uma refer\u00eancia de carinho\u201d, \u201c as vezes eles pensam que a UBS n\u00e3o \u00e9 SUS\u201d, \u201co SUS \u00e9 ruim, mas as equipes da UBS s\u00e3o boas\u201d (SIC).<\/p>\n<p>Para a pr\u00f3xima reuni\u00e3o combinamos que todos apresentariam propostas de atua\u00e7\u00e3o conjunta e poss\u00edveis parcerias que poderiam ser estabelecidas.<\/p>\n<p>Na data combinada, j\u00e1 no in\u00edcio da reuni\u00e3o os ACSs nos falaram da exist\u00eancia de um grupo de idosos que estava reunido naquele momento em um local pr\u00f3ximo. Fomos convidados a conhec\u00ea-lo e algumas outras importantes informa\u00e7\u00f5es nos foram repassadas durante este repentino convite. Ficamos sabendo da exist\u00eancia de um Museu Etno-Arqueol\u00f3gico na comunidade e das 14 olarias (poluentes) que eram fonte de in\u00fameras reclama\u00e7\u00f5es. A presen\u00e7a de uma Associa\u00e7\u00e3o Pr\u00f3-emancipa\u00e7\u00e3o de Itaipava e a consci\u00eancia de que o SUS precisaria ser muito defendido em fun\u00e7\u00e3o dos ataques que o nosso atual governo (at\u00e9 ent\u00e3o interino) golpista estava fazendo, com intuito de acabar com o sistema p\u00fablico universal de sa\u00fade, tamb\u00e9m mereceram destaques.<\/p>\n<p>Algumas outras a\u00e7\u00f5es desenvolvidas de forma isolada no bairro tamb\u00e9m foram relatadas: um projeto de minhoc\u00e1rio desenvolvido na escola, um grupo chamado: Vida Saud\u00e1vel de responsabilidade da UBS, mas que acontecia no espa\u00e7o f\u00edsico do Centro de Refer\u00eancia da Assist\u00eancia Social (CRAS) e que mobilizava in\u00fameras mulheres da comunidade, enfim v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es aconteciam em Itaipava, por\u00e9m sem uma linha condutora comum, pelo menos vis\u00edvel para n\u00f3s at\u00e9 aquele momento.<\/p>\n<p>Deixamos para combinar a t\u00e3o esperada proposta de parceria com os ACSs para uma pr\u00f3xima reuni\u00e3o, no entanto, v\u00e1rias possibilidades nos intrigavam e desafiavam. Sab\u00edamos que a forma de entender tudo aquilo que tivemos contato no Grupo de Idosos, determinaria a organiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es futuras do projeto. Forma de entendimento esta, fundamental para a institui\u00e7\u00e3o de coletivos de luta (e de lazer), fontes das a\u00e7\u00f5es contra-hegem\u00f4nicas, preciosamente apontadas por Gramsci em seus escritos e objeto deste projeto em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Coincid\u00eancias? Vontade pol\u00edtica? Ou somando for\u00e7as pode acontecer.<\/p>\n<p>Grupo de Idosos: Fomos ao sal\u00e3o paroquial da igreja, enquanto esper\u00e1vamos a organiza\u00e7\u00e3o dos idosos que estavam em uma das salas, os extensionistas, em um exerc\u00edcio espont\u00e2neo, realizaram uma tentativa de di\u00e1logo, n\u00e3o s\u00f3 com as pessoas que estavam no sal\u00e3o, mas principalmente com o coveiro do cemit\u00e9rio que ficava ao lado do sal\u00e3o paroquial e de uma olaria. Ou seja, os estudantes para al\u00e9m do acumulado em um ano de teoria, come\u00e7aram naquele momento, a exercitar uma rela\u00e7\u00e3o horizontal.<\/p>\n<p>O grupo dos estudantes ao entrar na sala espalhou-se, mesclando-se com umas vinte senhoras que estavam bordando, cada extensionista ficou com 02 ou 03 idosos. O grupo foi muito acolhedor e a integra\u00e7\u00e3o deu-se naturalmente.<\/p>\n<p>Soubemos que este grupo de aproximadamente 20 pessoas, era parte de um grupo maior, umas 40 pessoas com mais de sessenta anos que se reuniam nas quintas-feiras.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o seguinte, realizada para avaliarmos as a\u00e7\u00f5es, a hist\u00f3ria deste grupo foi contada pela coordenadora Suzana, funcion\u00e1ria do Centro de Conviv\u00eancia de Idosos, da prefeitura municipal de Itaja\u00ed. A s\u00edntese \u00e9 aproximadamente a seguinte: o grupo tinha mais de 10 anos, era muito alegre e at\u00e9 um ano atr\u00e1s fazia bailes e viagens. O grupo possu\u00eda uma escassa autonomia, era dependente de Suzana e Aline (confiavam muito nelas), as idosas trabalhavam exclusivamente com bordados, artesanatos de pano e tric\u00f4. N\u00e3o havia um projeto coletivo, tinham saudades das viagens, das festas, dos bailes em que iam, onde no caminho, comiam a \u201clingui\u00e7a da Maroca\u201d.\u00a0 Algumas fotos que estavam no celular da mais idosa do grupo, v\u00f3 do m\u00e9dico de fam\u00edlia da unidade b\u00e1sica de sa\u00fade, foram mostradas, nestas ela estava vestida de homem e havia dan\u00e7ado com outras idosas no \u00faltimo baile (em 2015).<\/p>\n<p>Sem recursos da prefeitura para a compra de materiais para o artesanato, contrata\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus para os passeios e at\u00e9 mesmo para o caf\u00e9 da tarde, parecia n\u00edtido o pedido de socorro, mas tamb\u00e9m estes fatos expressavam a falta de rea\u00e7\u00e3o do grupo, caracterizando a subalternidade do grupo com \u00eanfase na aus\u00eancia de articula\u00e7\u00e3o em torno de um projeto comum1.<\/p>\n<p>\u00a0Em 2016 nenhuma viagem tinha sido realizada e o \u00f4nibus estava proibido de circular, a crise do pa\u00eds chegava \u00e0 prefeitura, repercutia nas mudan\u00e7as impostas ao Grupo de Idosos, \u201c[&#8230;] a perspectiva de pol\u00edticas de perda de direitos, o que geraria um crescendo de mobiliza\u00e7\u00f5es sociais e uma escalada da repress\u00e3o, levando a polariza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica a outros n\u00edveis\u201d13.<\/p>\n<p>Soubemos tamb\u00e9m que nas quintas-feiras os homens (de 4 a 6) se reuniam numa sala ao lado, onde ficam jogando cartas at\u00e9 a hora do lanche. Em conversa (em separado) com eles, relataram que gostavam tamb\u00e9m de jogar bocha, mas que as canchas que existiam na comunidade n\u00e3o funcionavam mais e, que n\u00e3o se sentiam a vontade de ficar no mesmo sal\u00e3o onde as idosas faziam os bordados. Ent\u00e3o, quando terminava o lanche, iam embora.\u00a0<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias de vida, solid\u00e3o e subalternidade. O que fazer? No subt\u00edtulo final: Projetos de autonomia, caminhada para emancipa\u00e7\u00e3o retomaremos este grupo juntamente com a teia de projetos entrela\u00e7ados.<\/p>\n<p>Conselho Local de Sa\u00fade: o presidente deste conselho, que tamb\u00e9m \u00e9 o vice-presidente do Conselho Municipal de Sa\u00fade (e que desde 2016 \u00e9 um ACS da comunidade) o Beto, nos convidou para participar de uma de suas reuni\u00f5es que aconteciam nas segundas-feiras. Somente 02 professores foram e quando chegamos, a reuni\u00e3o j\u00e1 havia come\u00e7ado. Os 02 enfermeiros, 01 ACS e 03 pessoas da comunidade estavam discutindo a quest\u00e3o das olarias (esta quest\u00e3o assumir\u00e1 uma centralidade inesperada no projeto).<\/p>\n<p>Quando chegamos o grupo fez uma pausa para nos localizar em suas discuss\u00f5es, relataram que as 14 olarias empregavam em torno de 200 pessoas. Os fornos ficavam ligados 24 horas por dia e eram alimentados por lascas (cepilhos) de pinus eliottis, portanto as chamin\u00e9s produziam fuma\u00e7a 24 horas por dia. A principal queixa, no entanto, era em rela\u00e7\u00e3o ao barro usado na confec\u00e7\u00e3o das telhas e tijolos pelas olarias. Os caminh\u00f5es que circulavam pelas ruas, com as cargas de barro, n\u00e3o tinham prote\u00e7\u00e3o e a cada solavanco, uma por\u00e7\u00e3o de terra caia nas ruas e ali acabava secando e virando poeira. Al\u00e9m disto, a cada despejar de carga nos dep\u00f3sitos, nuvens de poeira se espalhavam pelas proximidades.<\/p>\n<p>Uma senhora presente na reuni\u00e3o disse que em 29 anos nunca pode abrir as janelas da frente de sua casa, uma vez quando tentou, ficou com camadas de poeira sobre as roupas, m\u00f3veis e len\u00e7\u00f3is. J\u00e1 era a terceira vez que discutiam o tema na reuni\u00e3o (digno de nota \u00e9 que n\u00e3o era a causa\/a\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as que movia a discuss\u00e3o), isto demonstrava uma contradi\u00e7\u00e3o importante que, possibilitaria uma melhor compreens\u00e3o do real, enquanto uma situa\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria e super\u00e1vel1. Sendo nosso principal desafio, fazer emergir desta contradi\u00e7\u00e3o (frequente na hist\u00f3ria de Itaipava) a\u00e7\u00f5es contra-hegem\u00f4nicas que buscassem uma nova sociedade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os moradores n\u00e3o se dispunham a fazer nenhum movimento direto contra as olarias: nem abaixo assinado, nem povo na rua. Achavam que a FAMAI (Funda\u00e7\u00e3o Municipal do Meio Ambiente de Itaja\u00ed) \u00e9 quem deveria tomar as provid\u00eancias, motivo pelo qual haviam, em uma reuni\u00e3o anterior encaminhado um pedido de fiscaliza\u00e7\u00e3o e estavam aguardando o parecer. O que aparecia na verdade \u00e9 que as olarias existiam antes do bairro, ali\u00e1s, elas foram a origem do bairro. Os propriet\u00e1rios eram parentes dos moradores e os 200 oper\u00e1rios eram moradores do bairro.<\/p>\n<p>Soubemos durante a reuni\u00e3o que eventualmente os propriet\u00e1rios das olarias se reuniam (esta reuni\u00e3o era chamada de feirino), para em conjunto, estabelecerem os pre\u00e7os dos produtos a serem vendidos por cada uma das olarias. Ainda durante a reuni\u00e3o do Conselho Local tamb\u00e9m foram discutidos problemas de sa\u00fade dos trabalhadores da comunidade, falaram do caso de um foguista que trabalhava sozinho durante a noite inteira alimentando o fogo com os cepilhos, e com isto garantia o forno permanentemente quente. Ele era usu\u00e1rio constante da UBS, ia para conversar (aliviar a solid\u00e3o, dizia ele).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s combinarem que fariam press\u00e3o na FAMAI, passaram para outro assunto, a falta de atendimento para problemas de doen\u00e7a \u00e0 noite na comunidade. Relatavam que grande parte da fila do Hospital Pequeno Anjo (localizado a aproximadamente 12 km do local) era de pessoas do bairro, trabalhadores\/as que levavam seus filhos ao atendimento quando voltam do seu trabalho porque a UBS da comunidade n\u00e3o estava mais funcionando naquele hor\u00e1rio. A quest\u00e3o era, porque n\u00e3o havia atendimento noturno na UBS de Itaipava? Uma das propostas sugeridas foi a de realizar uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria na Confer\u00eancia Local de Sa\u00fade a ser feita at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n<p>CRAS: o Centro de Refer\u00eancia da Assist\u00eancia Social funcionava em uma casa de 100m\u00b2, localizado em uma \u00e1rea de 30m de frente por 200m de fundo, contava ainda com um anexo de 8mx8m que era uma sala de reuni\u00f5es, entre estas duas constru\u00e7\u00f5es havia uma horta. L\u00e9o (psic\u00f3logo, chefe do CRAS) nos recebeu amistosamente, colocou-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para fazer trabalhos integrados e parcerias, relatou que j\u00e1 cedia a sala (o anexo) para reuni\u00f5es de grupo da UBS.<\/p>\n<p>O CRAS dispunha de um cadastro com as lideran\u00e7as do bairro que tamb\u00e9m foi colocado a nossa disposi\u00e7\u00e3o. O chefe do CRAS relatou a vontade de fazer mais coisas pelo bairro, por\u00e9m destacou a impossibilidade existente devido \u00e0 falta de pessoal, sua equipe tinha 50% dos funcion\u00e1rios necess\u00e1rios. Destacou que no bairro havia muitos casamentos consang\u00fc\u00edneos. Marcamos uma nova visita.<\/p>\n<p>Museu Etno-Arqueol\u00f3gico: utilizava o espa\u00e7o de uma antiga esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, entre as atividades promovidas pelo museu, estavam cursos de t\u00e9cnico ceramista.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do nosso projeto o museu passava por uma crise na sua dire\u00e7\u00e3o, j\u00e1 no segundo momento, o atual, a nova dire\u00e7\u00e3o se propunha a resgatar a hist\u00f3ria da comunidade, realizar exposi\u00e7\u00f5es de fotografias antigas da comunidade, das olarias entre outras.<\/p>\n<p>A nova administra\u00e7\u00e3o, em uma tentativa de integrar as escolas da comunidade com o museu, as convidou para fazerem uma exposi\u00e7\u00e3o de fotos do bairro tiradas pelos pr\u00f3prios alunos. Esta exposi\u00e7\u00e3o teve uma ampla divulga\u00e7\u00e3o nos jornais e na m\u00eddia televisionada da cidade.<\/p>\n<p>Encontro de Sa\u00fade e Ambiente: promovido pela professora M\u00e1rcia do curso de Engenharia Ambiental da UNIVALI, o encontro foi realizado durante uma tarde e uma noite. Neste momento fomos apresentados \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Agroecol\u00f3gica das Mulheres de Itaipava, fomos convidados para palestrar com a tem\u00e1tica: Sa\u00fade e Meio Ambiente. A conex\u00e3o com este grupo nos parecia evidente, desta maneira procuramos essa associa\u00e7\u00e3o ainda durante o encontro.<\/p>\n<p>\u00a0As integrantes da associa\u00e7\u00e3o ali presentes apresentaram muito interesse na integra\u00e7\u00e3o com o nosso trabalho, levantaram a possibilidade de trabalhar com o Grupo de idosos e relataram a parceria que elas t\u00eam com as olarias. As olarias forneciam \u00e0 associa\u00e7\u00e3o o barro para os canteiros e os cepilhos que protegiam o que \u00e9 cultivado, evitando a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Este exemplo de parceria com as olarias, sinalizado pelas mulheres da associa\u00e7\u00e3o, veio \u00e0 baila novamente devido a participa\u00e7\u00e3o de uma nova estudante no projeto. Ela era uma ex-moradora do bairro que h\u00e1 04 anos havia participado como professora dos cursos de ceramistas (desenvolvidos no museu). Esta extensionista, que havia formado no bairro Itaipava jovens como t\u00e9cnicos ceramistas, parecia estar novamente disposta a ensinar essas t\u00e9cnicas tanto para jovens nas escolas, quanto para o Grupo de Idosos. O problema que se colocava era a secagem dos produtos, para isso a parceria com as olarias, surgia como uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Minhoc\u00e1rio: as conversas come\u00e7avam a se entrela\u00e7ar, o tema minhoc\u00e1rio havia surgido na Associa\u00e7\u00e3o Agroecol\u00f3gica e por informa\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica ceramista (a extensionista), ficamos sabendo que um trabalho feito em uma escola do bairro, que h\u00e1 uns tr\u00eas anos atr\u00e1s, desenvolveu um projeto de compostagem. No projeto de compostagem era aproveitamento o lixo org\u00e2nico das escolas e a utiliza\u00e7\u00e3o de minhocas colaborava para a fertiliza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o da terra, em terra f\u00e9rtil.<\/p>\n<p>Nos contatos com o pessoal da UBS, ficamos sabendo que a enfermeira Julita tinha feito um curso de como fazer a compostagem e estava disposta a retomar o trabalho com as escolas.<\/p>\n<p>No bairro de Itaipava estava localizada tamb\u00e9m a EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria e Extens\u00e3o Rural de Santa Catarina) que desenvolvia experi\u00eancias de t\u00e9cnicas agr\u00edcolas e que tinha a possibilidade de fornecer as minhocas e as mudas.<\/p>\n<p>UNIVALI: o que surge de novo \u00e9 que a Vice-reitoria de extens\u00e3o da UNIVALI, cumprindo determina\u00e7\u00e3o ministerial, enfatizou durante o per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o continuada dos professores da institui\u00e7\u00e3o que, a partir de julho de 2016, todos os cursos precisariam disponibilizar 10% de sua carga hor\u00e1ria para cursos de extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Soubemos pelos nossos extensionistas (engajados tamb\u00e9m em pol\u00edticas estudantis) que a Vice-reitoria de extens\u00e3o havia \u201cdesafiado\u201d o DCE (Diret\u00f3rio Central de Estudantes) a elaborar um projeto de extens\u00e3o. Em fun\u00e7\u00e3o do Projeto Antonio Gramsci ser claramente identificado como contra-hegem\u00f4nico, a dire\u00e7\u00e3o do DCE nos procurou (possivelmente) por entender que uma parceria pudesse render bons frutos.<\/p>\n<p>ACSs: em nosso trabalho de reflex\u00e3o nos demos conta que a primeira aproxima\u00e7\u00e3o feita com os ACSs havia sido de forma vertical, com isto alguns ACSs n\u00e3o se sentiram \u00e0 vontade para trabalhar junto com os nossos extensionistas.<\/p>\n<p>Isto ocorreu especialmente em fun\u00e7\u00e3o da proposta ter sido elaborada pelo Beto e pelos professores da UNIVALI, uma proposta que visava organizar melhor o Conselho Local de Sa\u00fade e promover uma Confer\u00eancia Local de Sa\u00fade at\u00e9 o final do ano. Os ACSs entendiam que isto fugia um pouco das fun\u00e7\u00f5es dos ACSs, n\u00f3s n\u00e3o entend\u00edamos assim, mas n\u00e3o t\u00ednhamos o direito de exercer coa\u00e7\u00e3o nos ACSs. Propusemos ent\u00e3o que trabalhassem conosco aqueles que se identificavam com a proposta, isso significou a ades\u00e3o de todos os agentes que trabalhavam em uma equipe (os 05 ACSs da enfermeira Julita), dois da enfermeira Roberta (o Beto e mais um) e nenhum da outra equipe.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Projetos de autonomia, caminhada para emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Havia um universo de possibilidades postas na comunidade e desarticuladas, priorizamos o contato com as mulheres da Associa\u00e7\u00e3o Agroecol\u00f3gica e com o Grupo de Idosos.\u00a0 Esta op\u00e7\u00e3o nos parecia, al\u00e9m de uma possibilidade de interc\u00e2mbio entre grupos da comunidade, que poderiam de certa forma ser estimulados a terem uma representa\u00e7\u00e3o no Conselho Local de Sa\u00fade, uma possibilidade, porque n\u00e3o dizer, de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Part\u00edamos de um conceito de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, conforme a defini\u00e7\u00e3o constru\u00edda e defendida na Carta de Ottawa14 \u201c[&#8230;] processo de capacita\u00e7\u00e3o da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e sa\u00fade, incluindo maior participa\u00e7\u00e3o no controle desse processo\u201d.<\/p>\n<p>O CRAS aparecia como uma alternativa tanto de organiza\u00e7\u00e3o, como de disponibilidade de espa\u00e7o f\u00edsico para uma horta comunit\u00e1ria (ali\u00e1s, discutimos essa possibilidade quando fizemos nossa segunda visita ao L\u00e9o, que disse estar pensando em fazer justamente isso e que \u201cjuntar\u00edamos a fome com a vontade de comer\u201d). Al\u00e9m disto, tamb\u00e9m pensamos que a cancha de bocha (solicitadas pelos homens do Grupo de Idosos) teria seu espa\u00e7o no CRAS.<\/p>\n<p>Come\u00e7ava a se delinear a possibilidade de um projeto que inclu\u00edsse v\u00e1rios atores sociais e que caminhasse para a \u201cindepend\u00eancia\u201d do Grupo de Idosos junto com outros grupos da comunidade.<\/p>\n<p>Projeto 1: o Grupo de Idosos \u2013 al\u00e9m da poss\u00edvel participa\u00e7\u00e3o de representantes no Conselho Local de Sa\u00fade, este projeto buscava colaborar com a autonomia do grupo. Estava baseado na possibilidade de parceria com o Grupo de Mulheres Agroecol\u00f3gicas para trabalhar com horta comunit\u00e1ria (\u00e1rvores frut\u00edferas e horto medicinal), a princ\u00edpio no CRAS, al\u00e9m disto poderia desenvolver um curso de cer\u00e2mica, com a intencionalidade de construir vasos para hortas de janela.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Pens\u00e1vamos tamb\u00e9m que a EPAGRI poderia contribuir com as mudas de plantas, especialmente de bananeiras (estavam fazendo pesquisas justamente sobre elas). Essas plantas poderiam ser fertilizadas pelo minhoc\u00e1rio das escolas, as olarias forneceriam o barro (para serem plantadas), os cepilhos (para evitar a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua) e forno (para secagem dos vasos cer\u00e2micos).<\/p>\n<p>A ideia do projeto pressup\u00f5e uma organiza\u00e7\u00e3o do Grupo de Idosos refor\u00e7ando a autonomia e atrav\u00e9s das parcerias desenvolvendo condi\u00e7\u00f5es para voltar a fazer viagens, bailes e outras op\u00e7\u00f5es de lazer. Com isto, as concep\u00e7\u00f5es dominantes que at\u00e9 ent\u00e3o se apresentam como alternativas \u00fanicas9 ser\u00e3o superadas, permitindo a cria\u00e7\u00e3o ou o restabelecimento de espa\u00e7os para o exerc\u00edcio da cidadania.<\/p>\n<p>Projeto 2: em parceria com os ACSs (ao todo 7 se interessaram) iniciar\u00edamos atrav\u00e9s das visitas domiciliares, a amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento a respeito da comunidade, fortalecer\u00edamos os v\u00ednculos e atrav\u00e9s da lista do CRAS, localizar\u00edamos\u00a0\u00a0 as lideran\u00e7as da comunidade para convid\u00e1-las para as reuni\u00f5es do Conselho Local de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A pauta das reuni\u00f5es do Conselho Local de Sa\u00fade estaria inicialmente vinculada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico pol\u00edtica do grupo e especialmente voltada para a resist\u00eancia e o enfrentamento da amea\u00e7a forte do atual governo (golpista) \u00e0s pol\u00edticas sociais. Dentre elas, especialmente a do SUS, fortemente golpeado pelo atual ministro da sa\u00fade. Entend\u00edamos que uma das formas de resist\u00eancia seria a retomada da consci\u00eancia sanit\u00e1ria que pautou o Movimento da Reforma Sanit\u00e1ria nos anos 70 e 8015,16. Este movimento foi defendido por um conjunto de atores sociais entre os quais o CEBES (Centro Brasileiro de Estudos de Sa\u00fade) que assumiu o papel de intelectual org\u00e2nico em associa\u00e7\u00e3o com luta popular. O CEBES enquanto intelectual org\u00e2nico cumpriu a fun\u00e7\u00e3o de expandir os direitos, eliminar os embustes, desvelando as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade e socializando o poder, impulsionando a sociedade como um todo, n\u00e3o somente uma parte1,9,10.<\/p>\n<p>Nossa ideia era retomar essa luta resistindo e avan\u00e7ando, entendemos tamb\u00e9m que a pauta local n\u00e3o poderia ser deixada de lado. Isto envolvia a aten\u00e7\u00e3o noturna \u00e0 problemas de doen\u00e7a da comunidade e o que far\u00edamos com a nossa contradi\u00e7\u00e3o local: as olarias.<\/p>\n<p>A parceria para esta luta com o movimento comunit\u00e1rio, que envolvia a UBS e a UNIVALI, especialmente o CCS (Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade), nos motivava a reorganizar em Itaipava uma das sustenta\u00e7\u00f5es do movimento sanit\u00e1rio no sul do pa\u00eds \u201co trabalho conjunto com as comunidades de base\u201d17.\u00a0<\/p>\n<p>Nosso conceito de sa\u00fade, entendido como determinado pelo modo de produ\u00e7\u00e3o e como este atua na forma\u00e7\u00e3o social especifica, nos orienta para que a partir desta compreens\u00e3o, possamos desenvolver atitudes coerentes com o conceito. Isto redunda na possibilidade de promover sa\u00fade e de colaborar no desenvolvimento da capacidade de reagir a uma situa\u00e7\u00e3o que oprime18.<\/p>\n<p>Quando t\u00ednhamos a expectativa de que este trabalho, que seria apresentado no Congresso da ALAMES pudesse ter seu texto publicado por inteiro, est\u00e1vamos encerrando esta escrita no par\u00e1grafo anterior. Est\u00e1vamos, portanto em meio ao processo que n\u00e3o tinha ainda resultados mensur\u00e1veis, mas sa\u00edmos da situa\u00e7\u00e3o est\u00e1tica que o golpe causou \u00e0s consci\u00eancias brasileiras, para desencadear movimento, tanto no refor\u00e7o da autonomia, da caminhada para a emancipa\u00e7\u00e3o, como o espec\u00edfico da nossa \u00e1rea: a defesa do SUS.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que todo esse processo nasce de uma vontade pol\u00edtica de oportunizar espa\u00e7os para o projeto de extens\u00e3o, do esfor\u00e7o em viabilizar intelectuais org\u00e2nicos, mas principalmente a partir dos ACSs, que possibilitaram a articula\u00e7\u00e3o dos diversos grupos que existiam na comunidade Itaipava.<\/p>\n<p>Os dois projetos tinham como pano de fundo: um projeto de futuro, de luta, de solidariedade, de constru\u00e7\u00e3o de autonomia, de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, de defesa do SUS, do controle social, do refor\u00e7o a cidadania e da caminhada para a emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s destes projetos desejamos, assim como Gramsci, transformar o sujeito passivo \u201cem sujeito ativo e socializado capaz de tomar iniciativa e se impor com um projeto pr\u00f3prio de sociedade\u201d19,20.<\/p>\n<p>Quando soubemos que n\u00e3o haveria a publica\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica dos textos que seriam apresentados no congresso da ALAMES, podemos alongar um pouco mais o tempo para poder acompanhar o processo.<\/p>\n<p>Como se encaminharam os projetos: a semana passada (de 12 a 16 de setembro) as coisas tomaram um rumo surpreendentemente positivo. Integrou-se ao projeto no dia 12 o DCE, que estava disposto a fazer parceria e trabalhar na comunidade. Os convidamos para uma reuni\u00e3o marcada para o dia 15 no sal\u00e3o paroquial da Igreja, onde o grupo de idosos se reuniria.<\/p>\n<p>Articulamos anteriormente que o CRAS encarregar-se-ia dos convites para a EPAGRI e para a Secretaria de Agricultura, al\u00e9m disto garantiria o espa\u00e7o na reuni\u00e3o com o Grupo de Idosos; j\u00e1 o nosso projeto convidaria o outro projeto (o das Mulheres Agroecol\u00f3gicas), o DCE e a UBS.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o aconteceu, houve falas da coordenadora do Grupo de Idosos dizendo: \u201cn\u00e3o acreditar que aquilo pudesse estar acontecendo\u201d; do CRAS expressando que estava encantado com uma possibilidade de trabalho em parceria e que isto seria a retomada dos objetivos primeiros de um CRAS; e da coordena\u00e7\u00e3o de ambos projetos da UNIVALI.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma discuss\u00e3o ampla, ficou estabelecido que uma comiss\u00e3o se encarregaria de escrever o projeto (necessidade formal para o CRAS e para o DCE), composta por representantes do CRAS, DCE, Grupo de Idosos e UBS. No caso especifico da UBS, a representa\u00e7\u00e3o seria realizada pela enfermeira Julita, ela al\u00e9m de retomar o projeto do minhoc\u00e1rio nas escolas, era membro do Conselho Local de Sa\u00fade e coordenava uma das \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o da UBS, que estabeleceu uma parceria entre 05 ACSs que atuavam nesta \u00e1rea e o Projeto Antonio Gramsci.<\/p>\n<p>Importante ressaltar que dessa maneira, o Projeto Antonio Gramsci cortava o \u201cperigoso cord\u00e3o umbilical\u201d de depend\u00eancia que poderia estar sendo constru\u00eddo.<\/p>\n<p>Desta maneira, ficamos com a clareza de que est\u00e1vamos realmente fomentando uma concep\u00e7\u00e3o ativista da educa\u00e7\u00e3o e poder\u00edamos voltar a nos dedicar ao Projeto 2.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cMi Sono Convinto Che Anche Quando Tutto Sembra Perduto Bisogna Mettersi Tranquillamente All\u2019opera Ricominciando Dall\u2019inizio\u201d &#8211; Lettera Dal Carcere Di Antonio Gramsci Al Fratello Carlo Del 12 Settembre 1927. (Antonio Gramsci)<\/p>\n<p>\u201cSono Pessimista Con La Mia Intelligenza, Ma Ottimista Per La Volonta\u201d. (Antonio Gramsci)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<ol>\n<li>Gramsci A. Concep\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica da hist\u00f3ria. 10. ed. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira; 1989a.<\/li>\n<li>Breilh J. Los tr\u00eas \u201cS\u201dde la determinaci\u00f3n de la vida. In: Nogueira RP, organizador. Determina\u00e7\u00e3o Social da Sa\u00fade e Reforma Sanit\u00e1ria. Rio de Janeiro: Cebes; 2010.<\/li>\n<li>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (BR). VIII Confer\u00eancia Nacional de Sa\u00fade: Relat\u00f3rio final. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade; 1986.<\/li>\n<li>Gruppi L. Conceito de hegemonia em Gramsci. 3. ed. Rio de Janeiro: Graal; 1978.<\/li>\n<li>Cond\u00e9 MLL. Ludwik Fleck: estilos de pensamento na ci\u00eancia. Belo Horizonte: Fino Tra\u00e7o; 2012.<\/li>\n<li>Maeyama MA, Cutolo LRA. As concep\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e suas a\u00e7\u00f5es consequentes. Arquivos Catarinenses de Medicina. 2010; 39(1): 89-96.<\/li>\n<li>Fleck L. G\u00eanese e desenvolvimento de um fato cient\u00edfico. Belo Horizonte: Fabrefactum; 2010.<\/li>\n<li>Baratta G. Antonio Gramsci em contraponto. S\u00e3o Paulo: Unesp; 2011.<\/li>\n<li>Gramsci A. Maquiavel, pol\u00edtica e o Estado Moderno. 7. ed. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira; 1989b.<\/li>\n<li>Semeraro, G. Gramsci e os novos embates da filosofia da pr\u00e1xis. Aparecida: Ideias e Letras, 2006a.<\/li>\n<li>Semeraro G, organizador. Gramsci e os movimentos populares. Rio de Janeiro: Eduff; 2011.<\/li>\n<li>Freire P. Pedagogia do Oprimido. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1987.<\/li>\n<li>Brava SC. Sociedade Dividida. Le Monde Diplomatique Brasil. 2016; 105.<\/li>\n<li>Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade. Carta de Ottawa. Ottawa; 1986.<\/li>\n<li>Arouca ASS. A reforma sanit\u00e1ria brasileira. Radis. 1988, nov, 04; 11: 2-4<\/li>\n<li>Da Ros MA. Estilos de pensamento em sa\u00fade p\u00fablica: um estudo de produ\u00e7\u00e3o FSP USP e ENSP Fiocruz entre 1948 e 1994, a partir da epistemologia de Ludwick Fleck [Tese]. Florian\u00f3polis: CED\/UFSC; 200.<\/li>\n<li>Escorel S. Reviravolta na Sa\u00fade: origem e articula\u00e7\u00e3o do movimento sanit\u00e1rio. Rio de Janeiro: Fiocruz; 1998.<\/li>\n<li>Movimento dos trabalhadores rurais sem terra (MST). Construindo o conceito de sa\u00fade do MST. Cole\u00e7\u00e3o Sa\u00fade. Veran\u00f3polis: Iterra; 2000.<\/li>\n<li>Semeraro G. Da Liberta\u00e7\u00e3o \u00e0 hegemonia: Freire e Gramsci no processo de democratiza\u00e7\u00e3o do Brasil. Revista de Sociologia e Pol\u00edtica. 2007, nov; 29: 5-104.<\/li>\n<li>Semeraro G. Intelectuais org\u00e2nicos em tempos de p\u00f3s-modernidade. Cadernos Cedes, Campinas. 2006b; 26(70): 373-391.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO GRAMSCI &#8211; UMA CONCEP\u00c7\u00c3O ATIVISTA DE EDUCA\u00c7\u00c3O E SUA (INTER)A\u00c7\u00c3O EM ITAIPAVA Marco Aur\u00e9lio Da Ros1, Rita de Cassia Gabrielli Souza Lima1, Davi Tames1, Lucr\u00e9cia unelli2, Joelma Feliciano3, Liana Riveiro3, Marcos R.Rita3, Paula C. Souza3, Adriana G. Corr\u00eaa4, Camila\u00a0 Labr\u00eaa4, Marina Goelzer Kieling4. Resumo: Projeto de extens\u00e3o universit\u00e1ria desenvolvido com estudantes de gradua\u00e7\u00e3o em odontologia e medicina que busca atrav\u00e9s de uma concep\u00e7\u00e3o ativista de educa\u00e7\u00e3o, o preparo te\u00f3rico contra- hegem\u00f4nico na \u00e1rea da sa\u00fade. Este projeto constitui-se com uma nova proposta de a\u00e7\u00e3o, pautado em diversas categorias apresentadas por Gramsci e na compreens\u00e3o de que o processo sa\u00fade-doen\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-104","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletins"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/alames.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}